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A povoação de Igrejinha nasceu historicamente em torno da construção do seu templo mais significativo: a Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Consolação. Em 1528, o vereador da Câmara de Évora, Luís Mendes de Oliveira, e a sua esposa Isabel Jorge doaram terrenos e propriedades para a construção de uma igreja naquele local. A partir desse gesto fundacional, iniciou-se o núcleo primitivo da aldeia. A família Oliveira, da qual Luís Mendes de Oliveira fazia parte, era uma das mais influentes de Évora desde o início do século XIII, com ligações a morgados (propriedades nobres hereditárias) que se estendiam pela região.
Antes da construção do templo, a região era predominantemente rural e dispersa, com poucas povoações organizadas. A presença da igreja atraiu, ao longo do século XVI, famílias e moradores que foram fixando habitações em redor, formando um casario e crescendo progressivamente a comunidade que hoje conhecemos como freguesia de Igrejinha.
Os registos paroquiais existentes para Igrejinha, datando pelo menos desde 1575, demonstram que a comunidade já estava suficientemente organizada para manter um livro de assentos naquele período um sinal claro de que a vida paroquial e civil se consolidara pouco depois da fundação. Esses registos parlamentarizam nascimentos, batismos, casamentos e óbitos, oferecendo pistas valiosas sobre a continuidade e as dinâmicas demográficas ao longo dos séculos.
Embora sempre tenha sido uma comunidade rural com densidade populacional baixa — característica que ainda hoje se mantém o crescimento e a manutenção da povoação não foram lineares e foram fortemente ligados às condições económicas e sociais do Alentejo.
Outra dimensão central da história local são as festas anuais em honra da padroeira, realizadas no primeiro fim de semana de setembro. Estas festas incluem a tradicional procissão, arraial, recitação das décimas, convívios e um festival pirotécnico típico das celebrações populares alentejanas. Além destas, vários eventos sazonais e comemorativos — desde atividades desportivas até celebrações de datas cívicas — reforçam o sentido de comunidade e ajudam a manter vivas as tradições e relações locais.
Além da igreja e do património religioso, a freguesia abriga sítios arqueológicos, antas e outras marcas de ocupação humana antiga que revelam um passado pré-moderno da região, possivelmente remontando à presença romana ou anterior (como o denominado Castelo do Mau Vizinho).
O território rural da freguesia inclui também fontes históricas, sistemas tradicionais de água e edifícios comunitários antigos, que refletem modos de vida antigos ligados à agricultura e à pastorícia, fundamentais para compreender a evolução económica e social da população ao longo dos séculos.
Publicado por: Freguesia de Igrejinha
Última atualização: 13-02-2026